terça-feira, 2 de junho de 2009

Sessões da Câmara




A polêmica do aumento do número de sessões da Câmara Municipal chegou às ruas na semana passada e o reflexo pôde ser captado em parte pela enquete do espaço Opinião Popular da nossa colunista Regina Célia Rodrigues. A marcante maioria da população quer que haja não apenas as tres sessões propostas pelo vereador Sebastião Santana (PSB), mas quatro sessões, uma por semana. Na próxima terça-feira seria importante que alguns representantes do povo fossem à sessão a partir das duas horas para ver como será a votação de cada vereador com relação ao polêmico tema de ter que trabalhar um pouco mais. Alguns eleitores chegaram a reclamar do fato de dificilmente encontrarem os seus representantes lá na Câmara. Estão ficando cansados de verem vereadores bem pagos fazendo da vereança apenas um bico. Terça-feira o debate não será apenas entre Carlos Pupin (PSDB) e Santana (PSB). Será de todos!

Romagnoli x Ferreira ?




A Câmara Municipal de Batatais passará em breve por uma prova de fogo para demonstrar sua coerência. É que o TCE – Tribunal de Contas do Estado de São Paulo em breve enviará para os nobres edis os pareceres resultantes da análise de mais de trinta processos de compra com dispensa de licitações realizadas durante o primeiro mandato do atual Prefeito. Esse procedimento deve-se à representação feita pelo PT de Fernando Ferreira. O próprio Tribunal parece ter reconhecido ter errado. O eleitorado batataense deverá ficar atento e marcar presença nas decisões que envolvem os seus interesses. Será que há uma disputa única em nossa Estância entre Romagnoli e Ferreira? E os vereadores, o que dirão depois que condenaram Fernando Ferreira com a decisão do mesmo Tribunal?

The Beatles e o Satanismo.

O lançamento do livro The Lennon Prophecy, de Joseph Niezgoda está causando polêmica em diversas partes do mundo. O autor revela como John Lennon era obcecado pelo ocultismo, pelos poderes mágicos e pela numerologia. O livro também defende a idéia de que os “sinais sobre morte” há muito ligados a Paul McCartney eram realmente mensagens subliminares dando pistas sobre o destino fatal de Lennon.
De acordo com o livro, a subida meteórica dos Beatles e a sua permanência até mesmo quase quatro décadas depois que a banda se dividiu, é explicada por um pacto que John Lennon teria feito com o Diabo.
O autor do livro, além de músico foi fã do grupo a vida inteira. Pelo conhecimento que tem, ele explica no que o pacto foi feito pouco tempo antes de a banda experimentar seus grandes sucessos e terminou vinte anos mais tarde com o assassinato de Lennon em New York. O assassino do cantor, Mark David Chapman, foi preso e condenado a cumprir pena na Prisão Estadual de Attica, onde demônios foram expulsos dele.
Niezgoda surpreende muitos leitores devido a um capítulo em seu livro onde ele documenta diversos pactos satânicos ocorridos durante a história para reforçar o fato do pacto de Lennon. Claro que alguns não irão acreditar no pacto do músico por não crerem na existência de Satanás, mas isso não muda o fato.
Outro capítulo surpreendente do livro é o que trata das tragédias na vida de Lennon. Seus pais, Julia e Freddie, brigavam na justiça pela custódia de John quando aos cinco anos de idade foi forçado a decidir com quem queria ficar. Ao decidir ficar com o pai a mãe lhe perguntou se tinha certeza da decisão e ele correu para a mãe deixando o pai. Isso o fez crescer indeciso em tudo que fazia e seu abrigo quando fugia de casa era a tia Mimi.
No período escolar, John tinha problemas com os professores, com os colegas, fumava, proferia palavrões, roubava das crianças menores que ele e fazia tudo para conseguir dinheiro para comprar cigarros. Foi expulso de um coral de igreja por substituir as letras dos hinos por palavras obscenas.
Niezgoda cita o delírio sem precedentes e sem igual que cercava os Beatles como um dos sinais mais intrigantes sugerindo algo sobrenatural na carreira deles. Os rapazes de Liverpool, John, Paul, George e Ringo eram escritores e músicos de muito talento, mas o que os levou ao topo não foi meramente este fato. Os fatos sobrenaturais ocorridos na carreira do grupo e narrados no livro vão mostrar que o autor, mesmo sendo contestado por alguns mais céticos, não podem ser ignorados.
O título do livro é justificado pelo autor pelo fato que ficou conhecido na época em que o foco estava sobre as especulações de que Paul McCartney teria morrido em um acidente de carro e substituído por um sósia. Tudo pareceu bobagem, mas nem mesmo o sucesso alcançado pela sua careira solo mais tarde convenceu alguns fãs. Niezgoda explica que ele chama de profecia o fato que as histórias eram na verdade previsões futuras de tragédias não sobre Paul, mas sobre Lennon. Um fato ninguém contesta mais: os Beatles tinham assistência sobrenatural e não vinha do lado divino.





A marca registrada da elite brasileira


No último 20 de maio, li um texto memorável do Emir Sader: ele diz tudo o que eu pretendia a respeito da CPI da Petrobras. Na verdade, o primeiro pensamento que me ocorreu foi dito pelo presidente Lula, dias antes, ao embarcar para a China. Ele comentou algo como “CPI da Petrobras? Esses caras não têm mais o que fazer?”. Pois é, que merda. Esses caras não desistem: intermediar a entrega da Petrobras, como se fosse deles, para o Capital Internacional só pra ficar com um troco pela operação e a eterna gratidão do Big Brother pelos bons serviços de sempre. Só que o Big Brother já não agradece como antigamente, vide coluna Os Que Não Foram, onde comento que uma reles medalha foi tudo o que Tony Blair ganhou de Bush por ter apoiado as guerras de Washington. Mas, esta é a marca registrada do nosso subcapitalismo desigual e combinado – que combina a iniqüidade do atraso com a truculência do progresso. Sempre buscando representar o irrepresentável: a burguesia nacional que já não manda; o capital financeiro, que é o obstáculo ao desenvolvimento pois já se desligou de qualquer representação de classe, e cujos interesses promovem a exclusão – eis a contribuição genuinamente brasileira à práxis política global. A união ideal do Inútil ao Desagradável: estamos exportando entreguismo de ponta! O eterno gigante bobo adormecido com seu chocalho multinacional. Nosso sub-horizonte eleitoral “avança” em “marcha a ré para trás”, sinalizando, em 2010, com o que nos espera se ocorrer o retorno ao poder “desses caras que não têm mais o que fazer”. Mas vamos ao texto do Emir, do qual reproduzo alguns trechos:
“Dia 26 de dezembro de 2000, um dia depois do Natal, o povo brasileiro foi surpreendido por mais uma medida antinacional do governo FHC. O presidente da Petrobras, Henri Philippe Reichstul, anunciou que a empresa estava mudando seu nome comercial para PetroBrax. Segundo ele, o objetivo seria “unificar a marca e facilitar seu processo de internacionalização” (sic) (FSP, 27/12/2000). Afirmou ele que “a medida ganhou na semana passada o aval do presidente Fernando Henrique Cardoso”.
Segundo Alexandre Machado, consultor da presidência da Petrobras, a operação custaria à empresa 50 milhões de dólares, para realizar um projeto da agência paulista de design Und SC Ltda., “contratada sem licitação”, segundo o presidente da Petrobras. “Um dos argumentos favoráveis – relata a FSP – foi que o sufixo “bras” estaria, internamente, associado à ineficiência estatal. No front externo, um dos argumentos para a mudança da marca é de tirar a associação excessiva que o nome Petrobras tem com o Brasil. Segundo Norberto Chamma, diretor da Und, que apresentou a nova marca ontem para jornalistas, a desvinculação é importante para que a empresa não seja obrigada a arcar com os ônus dessa ligação.” (sic)
Ligação com quem, cara pálida? Com o Brasil? Com os brasileiros? Ou com nossa elite política?
“A direita subestimou a capacidade de resistência do povo brasileiro. Mas a operação durou apenas algumas horas. Apesar da tentativa de pegar o povo distraído entre Natal e Ano Novo, em dois dias o governo teve que retroceder da sua vergonhosa tentativa de preparar a maior empresa brasileira para “facilitar seu processo de internacionalização” – não há melhor confissão da intenção de privatizá-la do que a venda de ações na Bolsa de Nova York. O país estava submetido à nova Carta de Intenções do FMI, depois que o governo tucano de FMC e de Serra ter quebrado nossa economia pela terceira vez, havia indícios claros que a privatização da Petrobras, da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil faziam parte das contrapartidas dos novos empréstimos que o FMI concedia ao governo de FHC. 26 de dezembro foi um dia da vergonha nacional, com essa tentativa fracassada de tirar o nome do Brasil da Petrobras, para tirar a Petrobras do Brasil. Sabemos que FHC estava totalmente de acordo.
Seria bom saber onde andavam e que atitude tomaram os que agora dizem se preocupar com a Petrobrás. Que posição teve, por exemplo, José Serra diante dessa ignominiosa atitude do governo a que ele pertenceu? E as empresas da mídia e seus funcionários colunistas? E que atitude tomaram os senadores, agora tão interessados nos destinos da Petrobras, ao subscrever o pedido da CPI, quando a existência mesma da empresa estava em jogo?
O certo é que estavam centralmente ocupados em apoiar o governo que tentou privatizar a Petrobrás, - que fez um balão de ensaio no dia 26 de dezembro de 2000 - mas teve que recuar, e agora tenta voltar à carga, no momento em que se discute a nova regulamentação da exploração do petróleo e todo o processo do pré-sal. Une suas atuações um profundo sentimento de desprezo pelo que é brasileiro, pela que a Petrobrás representou e representa para o país.” (in www.cartamaior.com.br) E não me venham com acusações idiotas de “nacionalismo” ou “populismo” porque estas só se aplicam às populações do Brasil ou América do Sul ou Terceiro Mundo, jamais às populações dos Estados Unidos ou Europa ou Primeiro Mundo, cujo patriotismo e protecionismo, quando não omitidos, são efusivamente elogiados.
O fato é que, entre eles, “patriotismo” associa-se a “protecionismo”, mas entre nós - para as nossas elites tão originais – “patriotismo” só é bom quando associado a “entreguismo”. Portanto: seja patriota, entregue logo a Petrobras.


29/05/2009
*A escritora paulistana Márcia Denser publicou, entre outros, Tango Fantasma (1977), O Animal dos Motéis (1981), Exercícios para o pecado (1984), Diana caçadora (1986), Toda Prosa (2002) e Caim (2006). Participou de várias antologias importantes no Brasil e no exterior. Organizou três delas - uma das quais, Contos eróticos femininos, editada na Alemanha. Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, é pesquisadora de literatura brasileira contemporânea, jornalista e publicitária.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Populismo?



O vereador Carlos Pupin (PSDB) reagiu duramente contra a proposta do seu colega Sebastião Santana (PSB) de realização de uma terceira sessão ordinária mensal da Câmara. Para Santana, a proposta se justifica, pois é necessário desafogar a pauta que está sempre atrasada. Para Pupin, a proposta de uma terceira sessão é apenas populismo da parte do proponente, pois serviria apenas para engessar aqueles vereadores que sempre vão a Brasília e a São Paulo em busca de verbas e contatos políticos. Se a proposta for apresentada veremos a posição dos outros 13 vereadores.

Lei de Imprensa

O deputado federal Miro Teixeira (PDT), um dos autores da ação que culminou na revogação da Lei de Imprensa no dia 30 de abril, comemorou a decisão do Supremo Tribunal Federal. Para ele, a lei não passava de mais um instrumento para blindar o Estado da fiscalização. De acordo com o parlamentar, ao revogar a lei, o STF preservou o direito dos cidadãos à informação. Ele argumentou que a administração pública precisa ser fiscalizada, mas cada cidadão não dispõe dos instrumentos necessários para isso. "Quem faz essa fiscalização, pelo conjunto da população, é a imprensa", afirmou. Miro argumentou que a regra era mais um exemplo da "cultura de proteção" que guia o Estado brasileiro. Na lista, disse ele, estão regras como o foro especial e inviolabilidades aplicadas a quem exerce cargo público.

LEI DE IMPRENSA E DA HOMOFOBIA
Por 7 votos a 4, o STF (Supremo Tribunal Federal) revogou na semana passada a famigerada Lei de Imprensa (5.250/67), conjunto de regras criado no regime militar (1964-1985) que previa atos como a censura, a apreensão de publicações e a blindagem de autoridades da República contra o trabalho jornalístico. Assim, revoga-se um dos últimos resquícios da Ditadura Militar. Por outro lado, os mesmos legisladores estão correndo o risco de aprovar uma lei pior do que a Lei de Imprensa: a “Lei da Homofobia” (PCL 122/2006). A Lei de Imprensa colocava uma camisa de força nos profissionais de imprensa. A Lei da Homofobia pretende colocar a mesma camisa de força em toda a sociedade brasileira. Abram os olhos!

A ESCOLA DE MENDES LEVA NOTA 2

Criada pelo ministro Gilmar Mendes em 2001, a Faculdade de Ciências Sociais e Aplicadas de Diamantino MT, hoje administrada pela família do presidente do Supremo Tribunal Federal, vai ficar sob a fiscalização do Ministério da Educação e pode, em caso extremo, vir a ser fechada. O risco advém daquilo que pode manchar definitivamente a imagem de qualquer instituição de educação: a péssima qualidade do ensino. Gerida pela União de Ensino Superior de Diamantino (Uned), a faculdade obteve conceito muito baixo – nota 2 em uma escala de zero a 5 – no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) e será submetida à fiscalização federal. Fica, assim, na alça de mira da Superintendência do Ensino Superior. A Uned tem uma história complicada. Afinal, nasceu em pecado. Em agosto de 2000, levou “bomba” da Comissão de Ensino Jurídico (CEJ) da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A decisão foi por unanimidade. O relatório assinado pelo advogado Adilson Gurgel de Castro, presidente da CEJ, concluiu pela não recomendação do “curso pleiteado”. Gilmar Mendes aparece assim no relatório: “O projeto menciona que um dos docentes da Faculdade é o professor-doutor Gilmar Ferreira Mendes, que, inclusive, assina como um dos sócios cotistas”. A decisão da OAB tinha peso nas decisões do Ministério da Educação até o governo de Fernando Henrique. “A opinião da Ordem era considerada. Mas o ministro da Educação, Paulo Renato, passou como um trator em cima dos pareceres que demos”, diz o advogado Reginaldo de Castro, que presidia naquele ano o Conselho Federal da OAB. Muitos dos quesitos exigidos pela OAB deixaram de ser atendidos na faculdade. Até mesmo o projeto da biblioteca não satisfazia. Uma delas era, e ainda é, a exigência de uma população mínima de 100 mil habitantes no município onde a instituição será criada. Diamantino tinha na ocasião, segundo o relatório, apenas 15.159 habitantes. Isso, para a OAB, evidenciava “a ausência da necessidade social”. Vários outros obstáculos barravam a faculdade de Gilmar Mendes, que pontificava como advogado-geral da União no governo FHC. Não se sabe se a decisão do ministro Paulo Renato atendeu aos interesses empresariais do parceiro de governo, mas, em agosto de 2001, o MEC expediu portaria autorizando o curso.